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Nalia, esposa de Alberto da Paz, pintando..
Santa Cruz manteve firme sua fé, sua crença e seu folclore. Apesar das perdas materiais e simbólicas, as manifestações religiosas e culturais continuam abrilhantando nosso município. É um momento onde resgatamos nossa memória, revivemos o passado e valorizamos o presente. O culto ao Divino Espírito Santo, uma das marcas legadas pela cultura portuguesa ao Brasil, uma marca extremamente expressiva na religiosidade dos santacruzanos. Sabe-se que o Doutor Johan Pohl um botânico austríaco que visitou o Brasil e esteve em Santa Cruz no inicio do século XIX, assistiu e registrou esta festa, e, também o naturalista francês “Saint – Hillaire”.Muitas vezes confundimos o significado das palavras “tradição” e “folclore”. O “folklore” (do inglês), Folk = povo; lore = saber ou conhecimento popular, que nasce do fazer, que têm a experiência como a grande fonte. Pode-se dizer então que folclore é a ciência que estuda e pesquisa as manifestações populares transmitidas através das gerações, tais como os costumes, as crenças populares e demais manifestações nascidas do povo. Tradição descende da palavra latina “traditione“ que significa entrega, outorga; assim, a tradição é o ato de transmitir ou propagar valores espirituais de geração em geração e nesses valores podem-se incluir fatos, hábitos, usos, costumes lendas, e muitos outros valores de apreço ou de rejeição, de um povo ou parte dele, sobre certa reminiscência ou memória NOSSAS FESTAS:
São Sebastião São Pedro Divino Espírito Santo Nossa Senhora do Rosár Santo Antônio Padroeiro de Santo Antônio da Esperança (Rio do Peixe). São Benedito São Judas Tadeu Aniversário da fundação de Santa Cruz Nossa Senhora da Conceição (Padroeira do Município) Nossa Senhora Aparecida Sagrado Coração de Jesus Santos Reis
A “Festa do Divino” é a principal festa do município, transcorre em vários dias. Durante os nove dias que antecedem o Tríduo Solene (três dias), há as Novenas. Antecedendo as Novenas, são realizadas as visitas domiciliares do Divino Espírito Santo com a oração do santo terço e leilões. Tudo começa com a peregrinação da Folia em toda zona rural, urbana, cidades vizinhas e até Goiânia, visitando os Santa-Cruzenses, os amigos, ou apenas conhecidos que residem em outras cidades. Cumprem sempre o mesmo ritual de chegada e despedida. Buscam donativos para a Igreja, ou apenas levam a música e a oração. Estes, ao chegarem a uma residência, não entram antes de cantar, pedindo licença para entregar a bandeira (ornada com motivos religiosos) ao dono (a) da casa. Tudo comandado pelo mestre e contra – mestre (puxador dos cantos) Quando terminam de cantar, o anfitrião segue à frente, levando a bandeira a todos os cômodos, pedindo sua benção para aquele lar. No final cantam agradecendo a recepção, a comida e despedem-se prometendo voltar no ano seguinte. Celebra-se também na mesma época: São Benedito e Nossa senhora do Rosário. SOBRE A PREDOMINÂNCIA DAS CORES
Em cada dia de festa do Divino Espírito Santo em Santa Cruz, predomina uma cor. Não é questão de gosto, não é porque gostamos desta ou daquela cor, é tradição, é cultura. Para catequizar os índios e negros brasileiros, os padres portugueses tiveram primeiro que conhecer seus hábitos, língua e cultura. Depois de conhecer na íntegra todos seus costumes, realizavam autos sobre temas bíblicos, vidas de santos, com muita música, velas, incenso, tudo muito colorido, muita alegria. Para atraí-los, misturavam elementos das culturas portuguesa, africana e indígena. Mesclavam a música e a religião. Esta mistura resultou num belo espetáculo de cores e ritmos. Desses autos nasceu o teatro. Através destas encenações teatrais, Santa Cruz mostra suas tradições folclóricas e religiosas.
DESENROLAR DO TRÍDUO SOLENE
Alvorada festiva feita pela Banda Música, celebra a alegria, o entusiasmo, a emoção! Cada dia que amanhece dentro do Tríduo Solene, ela encanta, com suas valsas, seus dobrados, suas canções, seu som suave e eterno!
Por volta de oito e meia da manhã começa o bimbalhar sonoro e alegre do sino da Igreja, convidando os cristãos a se reunirem para a Celebração Eucarística. Bate uma, bate duas, bate três vezes. Na terceira começa a missa.
Os festeiros (Casal encarregado do dia) vestindo as cores da festa celebrada são buscados em casa pela banda de música. Conduzidos por parte da população e pelos integrantes da contra - dança. Após a missa em louvor ao Santo, acontece a escolha do novo Imperador - alguém da comunidade - para comandar a festa do ano seguinte. Há a apresentação da contra - dança na porta da igreja e almoço oferecido a todos os presentes. À tarde de sábado e domingo apresentação da cavalhada. À noite procissão com andor. Durante o percurso da caminhada, fiéis vão se revezando. Cada um cumprindo uma promessa de ajudar a carregar o andor, uns descalços, crianças vestidas de anjos; todos caminham pelas ruas com velas acesas, que simbolizam a chegada de Cristo como luz do mundo. Tudo acompanhado de cantos, orações e responsórios. Depois da procissão no segundo dia - sábado - há a coroação de Nossa Senhora e hasteamento das bandeiras com fitas coloridas, representando os dons do Espírito Santo. À noite, animação com banda de música, som automotivo e queima de fogos. À meia-noite de sábado, o céu de Santa Cruz se transfigura com o colorido e a iluminação do show pirotécnico. Um instante de êxtase, de emoção, de agradecimento a Deus pela vida, pelos amigos, contribuindo para o fortalecimento dos laços entre os conterrâneos e visitantes, reforçando a certeza de que, vale a pena contribuir para continuação da festa nos anos seguintes.
No último dia do Tríduo Solene - domingo - após a missa do Divino há o “Momento Santa-Cruzano”. (O gentílico de Santa Cruz é “Santa – Cruzenses”. Para os moradores é tradicionalmente: “Santacruzanos”). Mais um ponto culminante da festa. Momento de acolhimento, reencontro de amigos, parentes, visitantes das cidades vizinhas ou longínquas. Novamente agradecimentos a Deus e a todos que contribuíram para o êxito da festa. Neste dia não é oferecido o almoço. Doces e biscoitos típicos, em farta mesada na rua em frente à Igreja à vontade para todos. À tarde e à noite tudo se repete. Os festeiros escolhidos ou sorteados (se for muitos inscritos, sorteia-se) para o próximo ano, logo conseguem adeptos, os que voluntariamente lhes ajudarão. Um encarrega-se da confecção do andor, outro do mastro, outro da bandeira, outro da decoração da Igreja. Os fazendeiros da região doam bezerros, vacas, porcos, dinheiro, e assim começa já a nova festa, continuando a esperança dos moradores em que dias melhores virão. E assim vai passando a tradição, de geração em geração, às vezes de maneira intelectual, mais precisamente de maneira intuitiva e afetiva. A cada novo dia de festa tudo se repete como no dia anterior. Cada festa é como se fosse a primeira. Há emoção, comoção, entrega e muita fé! O não crescimento do município fez permanecer em Santa Cruz a comunidade unida. Todos se conhecem e se respeitam. Conservamos o hábito da solidariedade humana. Apesar da modernidade e da tecnologia, nosso imaginário voa livre! Construímos e reconstruímos nossa história, sem pompas, mas numa animosidade seletiva, numa unidade ímpar, onde reina a esperança, a fé, o prazer, a alegria, o encontro e o reencontro. Tudo é marcante para nós. É uma forma de representação viva e dinâmica, onde cada um se sente envolvido e responsável. Tudo regado a muita oração, louvor, autos e foguetório.
TRÍDUO SOLENE - TRÊS DIAS DE FESTA
Primeiro dia (sexta-feira) - Festa de São Benedito. Predomina o amarelo:
“cor que significa santidade, vitória e humildade”
São Benedito descendente de negros etíopes, descendente de escravos. Nasceu na Sicília, em 1526, e foi criado na fé cristã. Em sua mão direita como mostra a imagem, tem um pedaço de tutu de feijão representando sua dedicação aos famintos, levando-lhes comidas que pegava na dispensa do convento, onde era cozinheiro. Conta-se que fora surpreendido por seu superior numa dessas ocasiões. Perguntou o que levava embrulhado em seu borel, o santo respondeu: "Levo Rosas, meu senhor!". São Benedito desdobrou o manto franciscano e, em lugar dos alimentos suspeitados pelo superior, apresentou aos seus olhos admirados uma braçada de rosas.
Sua festa é uma manifestação religiosa de origem afro-brasileira. Por ser negro, São Benedito foi chamado de “O Mouro”. Por suas inúmeras virtudes fora nomeado Superior do Convento (Guardião). Santo Milagroso: é venerado por todos que conhecem e também por muitos que desconhecem sua vida santa e acreditam em sua proteção. Protege contra todo tipo de vícios, preconceito e aos doentes e necessitados.
Existia a Irmandade de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário de Santa Cruz. A Irmandade tinha um estatuto do Arcebispado de Nossa Senhora San’tana de Goiás. Foi aprovado em 22 de julho de 1935. Monsenhor Confúcio era o Vigário Geral. Registrado as fls. 91 do livro n.6 de Provisões diversas e provimentos. H. Campos, era o escrivão.
VIDEO procissaão de São Benedito/2009 Fotos Segundo dia( sábado) Festa de Nossa Senhora do Rosário Predomina o azul: “Representa a virgindade de Nossa Senhora, o universo, a devoção, a paz e a tranqüilidade”. “É o símbolo do desapego aos valores deste mundo, ascensão da alma que tende ao divino, que se encontra com o branco Virginal.” SOBRE O ROSÁRIO
Monges Irlandeses recitavam os 150 Salmos. Os Leigos encantados com tamanha desenvoltura, embevecidos com tamanha devoção, queriam fazer o mesmo. Como eram analfabetos, não tinham condições de acompanhar os Monges na leitura dos Salmos, estes para possibilitar a participação de todos, transformaram os 150 Salmos em 150 Pai Nosso, mais tarde em 50 Pai Nossos e 150 Ave-Marias. O Santo Rosário foi criado pelo santo espanhol Domingo de Guzmán, fundador da Ordem de Predicaciones, entre 1205 e 1208, com expressão do amor à Virgem Maria. Ao longo dos séculos, vem sendo recomendado por todos os papas, com destaque para Pio V, que instituiu a forma como o rosário é rezado hoje em dia, com Pais Nossos, Ave Marias e Glórias. Era dividido em três blocos de cinco mistérios cada um, referentes aos momentos importantes da vida de Jesus e Maria. O Papa João Paulo Segundo inseriu mais cinco mistérios, ou seja, mais um bloco, ficando agora o Santo Rosário composto de quatro blocos de cinco Mistérios cada.
Ø Mistérios Gozosos: Referentes à Encarnação e a vida oculta de Jesus.
Ø Mistérios Dolorosos: Relacionados à Paixão de Cristo
Ø Mistérios Gloriosos: Lembram a Ressurreição.
Ø Mistérios Luminosos: referem-se a passagens da vida pública de Jesus (Batismo no Rio Jordão, Revelação nas Bodas de Cana, Anúncio do Reino de Deus, Transfiguração e Instituição da Eucaristia). Para cada dia da semana é intitulado um bloco de Mistérios: Os Gozosos às segundas-feiras e sábado; Dolorosos às terças-feiras e sextas; Gloriosos as quartas e domingos e os Luminosos às quintas-feiras.
A FÉ DOS NEGROS ESCRAVOS EM NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO E EM SÃO BENEDITO.
O sistema de escravidão no Brasil Colônia era perverso. Os Senhores de engenho, desconfiados e maus, compravam africanos de línguas e origens diferentes, pensando que, agindo assim, os enfraqueceriam. Separavam as famílias na maior crueldade. Achavam que se juntassem escravos de uma mesma etnia haveria conspiração e poderiam se revoltar coletivamente. Nem o sofrimento, nem os maus tratos, nem as dores, tiravam deles a esperança, buscavam a identidade perdida, a liberdade. Reorganizavam-se cada dia mais. Reinventavam sua história, sem perder de vista a herança cultural dos antepassados. Começava o companheirismo na travessia do mar, em navios negreiros. Eram verdadeiros camaradas, verdadeiros irmãos, confiavam piamente uns nos outros, amavam-se e lutavam juntos pela sobrevivência. Eram fortes, destemidos e criativos. Quanto mais os embruteciam os maus tratos, mas a fé os encorajava. Criaram o português crioulo, uma forma de se comunicarem, por serem de lugares diferentes. Os negros no período colonial construíam as próprias capelas onde realizavam seus cultos. Nos terreiros das fazendas, eles reuniam-se para o canto do lamento. Quanto mais dores sentiam, mais cantavam, quanto mais cantavam, mais se fortaleciam, tirando da mente o sofrimento através da voz em forma de lamento. Os Senhores de engenho não os importunavam enquanto cantavam. Não entendiam, mas respeitavam a espiritualidade vivida por eles. Não percebiam como o Rosário de Maria os sustentava nas dificuldades da vida. Os negros matutavam a todo instante, buscando uma solução para aquela vida difícil. Pensavam, pensavam; não encontravam respostas, nem um caminho para mudar sua realidade, a não ser a esperança de que, Nossa Senhora do Rosário junto de São Benedito, lhes dariam a alforria. Acreditavam ganhar com muita fé uma sepultura em solo sagrado. Maria fortalece até hoje, não só negros, não só brancos, mas, todo filho seu.
FOTOS
Video Nossa Senhora do Rosário/2009
Terceiro dia (domingo)
Festa do Divino Espírito Santo/Pentecostes
Predomina o vermelho: “Representa o humano, a plenitude da vida terrena e a essência da vida; simboliza o sangue dos mártires. Além das cores há também os símbolos que são sinais da presença do Espírito Santo: pomba, (que quase sempre pousa em uma esfera azul que significa universo), fogo, vento, água.”.
 CELEBRAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO
Entre os hebreus, era comum a celebração da chamada Festa das Semanas, isso porque ela se dava sete semanas após a Páscoa. O povo dava graças ao Senhor pela colheita. Mais tarde, adquiriu mais uma dimensão celebrativa, a da proclamação da lei (instrução) no Sinai: cinqüenta dias após a libertação do Egito, cinqüenta dias após a Páscoa, por isto não há uma data definitiva para a festa. Um ano acontece no final do mês de maio, outro ano no começo de junho. A Páscoa, uma síntese das comemorações das colheitas, dos criadores de animais, das tendas — povo nômade — na época primitiva. Como os meses não têm o mesmo tanto de dias, a data de Pentecostes é móvel. Na era cristã, o Pentecostes tornou-se o último dia do ciclo pascal, quando se celebra a chegada do Espírito Santo como aquele que atualiza a presença do Ressuscitado entre nós, dando força para que as comunidades sejam testemunhas de Jesus Cristo na história. O Dia de Pentecostes significa que após cinqüenta dias da Ressurreição do Senhor, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos. A espiritualidade que nos orienta nesse período fala da presença consoladora do Espírito, que semeia nos corações a esperança do reino de Deus.
Video festa a noite /2009
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