E-mail
                   SÍNTESE HISTÓRICA

 “São as capacidades da alma humana que fazem a história”     (Maquiavel) 


À margem da GO-020, (Rodovia JK) a 128 km de Goiânia, está Santa Cruz. Tão próxima e tão distante da Capital! Foi considerada uma das primeiras povoações, no início do desenvolvimento de Goiás. 

O descobrimento de ouro e a conseqüente ocupação do território goiano fizeram surgir durante o século XVIII na região de Goiás cerca de quarenta núcleos urbanos cuja população viva quase que exclusivamente da mineração. O arraial de Sant’ Anna foi o primeiro núcleo implantado e era também residência do descobridor. Neste local, no entorno foi estabelecido os mais antigos núcleos de mineradores: Ferreiro, Antas, Santa Rita, Barra, Capela, Ouro Fino. O núcleo de Santa Cruz estabeleceu fora do controle direto do arraial de Sant’Anna; localizava-se cerca de 60 léguas(mais ou menos 360km) do primeiro núcleo.

 

Em 27 de agosto de 1729 o bandeirante Manoel Dias da Silva, indo rumo à minas de Cuiabá(mineração pertencente também à Capitania de São Paulo)para descanso alojou-se em um sitio, já em terra dos goyases. A comitiva de Manoel Dias estava cansada. Mesmo descansando continuaram a busca pelo ouro naquele sitio. Encontraram muito, mas muito ouro. Um bandeirante rude, mas tinha sua fé; em agradecimento a Deus por encontrar muito ouro, ergueu uma grande cruz de madeira, onde nela escreveu: “Viva el Rei de Portugal”, e afirmou que aquele seria o futuro arraial de Santa Cruz. (Ninguém sabe ao certo onde  foi erguida a cruz, eu sei o que ouço desde criança, na Praça do Baru).

O fundador de Santa Cruz não foi o responsável por sua ocupação, já que se encontrava em território goiano apenas em trânsito. Ia para as minas de Cuiabá, por ordem do Governador de São Paulo Rodrigo César de Menezes. A ele estavam jurisdicionadas as regiões mineradoras de Goiás e Mato Grosso. A formação do arraial de Santa Cruz, originou-se pela mineração. Aventureiros, negros escravos e garimpeiros foram os primeiros habitantes. 
  Dentro das exigências da Igreja Católica, surgiram as primeiras habitações construídas ao redor de uma capela onde foi doado um terreno para a construção da mesma. As primeiras habitações foram construídas junto a cruz de madeira, tornando-se notável a construção da Igreja. Em 1737 já existia em Santa Cruz uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição (Padroeira do Município)Continuaram a pesquisa principalmente no córrego hoje chamado Água Suja. Descobriram que o ouro  encontrado, não estava alojado apenas no fundo dos rios e de fácil extração, havia também nas  rochas. Um faiscador chamado Clemente descobriu acidentalmente uma montanha de ouro, denominada Morro do Clemente, nome originado de seu descobridor. A montanha ficava ao lado do Arraial de Santa Cruz. No ciclo do ouro foram fundados vários arraiais,Santa Cruz um dos primeiros a ser fundado e dos mais importantes. No inicio do século XIX veio a decadência nas zonas auríferas, caiu substancialmente a produção do ouro. O êxodo fez com que várias vilas se estagnassem. A economia desmoronou.            

 Em 1744 criou-se a Capitania de Goiás, independente da Capitania de São Paulo, governada por José de Almeida de Vasconcelos de Soveral e Carvalho. O governador decidiu retomar a mineração: intento frustrado. Decidiram então incrementar a exploração no Arraial de Santa Cruz no "Riquíssimo Morro do Clemente" onde dizia a lenda, era rico em ouro. Contratou o mineiro Pedro Rodrigues de Moraes, a ele entregou vários escravos. Começaram   os trabalhos: nivelaram o terreno, construíram calhas para aproveitarem água de um açude; talvez seja a nossa lagoa. Veio a febre tifóide, matou várias pessoas, levando Santa Cruz ao ostracismo, perdendo a oportunidade de ser independente. Até hoje, segundo moradores, o morro não foi totalmente explorado, em virtude da dificuldade do manuseio em função das características rochosas do terreno. Há ainda muita prata, ouro, chumbo, calcário, argila, pedra para brita, areia, minérios e minerais nas redondezas. Ninguém sabe ao certo qual é este morro.

Santa Cruz tornou-se Paróquia em 21 de setembro de1759 e Julgado em 1809. Neste mesmo ano por Decreto Provincial a Capitania de Goiás dividiu-se em duas Comarcas: a do Sul e a do Norte. O Julgado (Território de Santa Cruz) pertencia à Comarca do Sul, com sede em Vila Boa, cujo nome era Comarca de Goiás, composta por mais cinco Julgados além de Santa Cruz: Vila Boa, Crixás, Pilar, Meia Ponte, Santa Luzia. A Comarca do Norte, compreendia oito Julgados: Natividade, Porto Real, Flores, Traíras, Cavalcanti, São Félix, Conceição, Arraias.
Existia, segundo historiadores: vários engenhos de açúcar, tecelagens, oleiros, fábrica de telhas, alfaiate, carpinteiros, marceneiros, pedreiros, serralheiros, ourives, lojas, cabarés, teares onde confeccionavam tanto as roupas dos escravos, quanto o fino tecido de algodão.Quando criado o Julgado, Santa Cruz tinha uma área imensa. Limitava-se com a Comarca de Paracatu, Província de Minas Gerais e Província de São Paulo. 

Em 1º de abril de 1833, o arraial elevou-se à categoria de vila, sendo instalado somente em oito de dezembro do mesmo ano (muitos confundem a data da fundação do arraial com a data da instalação da condição de vila). Nesta época Goiás se dividiu em quatro Comarcas: Santa Cruz, Cavalcanti, Goiás e Palmas. Por um determinado tempo, dominou todo Sudoeste e parte do Sul de Goiás. Com o passar do tempo os povoados que pertenciam à Santa Cruz, se desenvolveram a tal ponto tornando-se independentes: Campo Formoso (Orizona), Vila Bela de Morrinhos, Santa Rita do Paranaíba (Itumbiara), Caldas Novas, Pouso Alto (Piracanjuba), Catalão, Bonfim (Silvânia). Pelo desmembramento e principalmente por questões políticas, sua influência caiu.

Em 29 de abril de 1884, passou à condição de cidade. O município abrigava: engenhos de açúcar, tecelagens, oleiros, fabricantes de telhas, alfaiates, carpinteiros, sapateiros,ourives,lojas,cabarés,cinema... 

                                                                                                  
“Meu pai ‘João Machado Paraguassú’,
em 1929, mudou-se de Caldas Novas
para Santa Cruz em busca de progresso”.                                 
Warendy Paraguassú de Siqueira
.    
            

Em 1935 o Distrito de São Sebastião do Sapé é anexado ao Município de Caldas Novas.

A população é estimada em 3.264 habitantes em uma área de 1.109 km². Possui clima tropical e se limita com os municípios de Pires do Rio, Palmelo, Cristiánopolis, Caldas Novas e Piracanjuba. Suas terras são banhadas pelos córregos: Brumadinho, Caiapó, Pirapitinga, Fundo, Mato Virgem, São Benedito, Córrego da Chuva, pelo córrego Água Suja, Dantas, Manoel Duarte, Muquém, Buriti, Pedra de Amolar, pelo Rio do Peixe, Ribeirão Brumado e Sapé. O Córrego Água Suja e o Morro do Clemente foram focos de muito ouro. A busca por riquezas, fez aglomerar muita gente no local. Muitos morreram no garimpo, contaminados pela febre tifóide, com isto, a mineração esfriou e a economia desmoronou. 


Não há registro, mas destaca-se na história de Santa Cruz, por algum tempo ter sido Capital da Província.

                                          PERSEGUIÇÕES POLÍTICAS



Ano de 1914 - Vieram os trilhos da estrada de ferro para o Centro-oeste. Alegando chegada de epidemias, e principalmente atendendo a interesses próprios, os administradores da época não concretizaram a passagem dos trilhos por Santa Cruz. A estrada de ferro margeando o Rio Corumbá ficou distante da cidade 24 km. Um fazendeiro do município Cel. Lino Teixeira de Sampaio bisneto de Caetano Teixeira de Sampaio - Comandante da Guarda Nacional em Santa Cruz de Goiás por nomeação direta de D. João VI, era proprietário de um conjunto de fazendas: Brejo, Sumidouro, Marrecos e mais oito pertencentes ao Coronel Sampaio; era conhecida como ponto de pouso de tropeiros, por sua situação estratégica e recebia ilustres convidados que demandavam o Rio de Janeiro e São Paulo como o Senador Antonio Ramos Caiado (Totó Caiado) que sempre se hospedava em casa do Cel. Sampaio, quando de suas idas e vindas à Capital Federal.

 

No dia 5 de julho de 1922, o Coronel Lino Teixeira de Sampaio, na sede da Fazenda Brejo, tendo por testemunha sua esposa, Dona Rozalina Fernandes de Oliveira, Hermenegildo Lobo, Balduino Ernesto de Almeida, Joaquim Antônio Teixeira e Eliezer Jorge de Almeida, destinou a área do terreno para o núcleo inicial de um município, conforme consta da escritura lavrada no Livro 21, pp. 114-116, do Cartório do 1° Ofício de Santa Cruz de Goiás e registrada em 5 de agosto de 1922 sob, o nº.985, livro 3-A do Registro de Imóveis da mesma Comarca.

Nesse documento, o Coronel Sampaio estabeleceu cláusulas para a fundação e desenvolvimento do município de Píeres do Rio, com vistas a beneficiar a população na área sócio educacional. Conta-se que não foi doação e sim indenização.


Ano de 1934 - Santa Cruz perdeu sua sede para Pires do Rio. Nesta época, passou por um período tenebroso que trouxe muita tristeza e desalento ao povo. Foi humilhada, debochada, vilipendiada. Passou a ter um sub-Prefeito designado pelo chefe do Executivo Piresino. O Interventor Federal em Goiás, Dr. Pedro Ludovico Teixeira, suprimiu o Município de Santa Cruz pelo Decreto 5.200, de oito de dezembro. Com a extinção, seu território passou a pertencer a Pires do Rio. A justificativa, dentre outras, foi que a cidade não progredia, continuava na mesma há muito tempo, nada novo acontecia. Porém na sabedoria popular, dizia-se: “Santa Cruz é bananeira que já deu cacho, agora já podem arrancar a moita inteira, pois já colheram todos os cachos que os interessavam.” Removeram todo arquivo histórico em caminhões inadequados, destruindo os documentos da época. O povo se manifestou com abaixo-assinados, recorreram à Justiça, mas nada mudou; o Interventor continuou firme em seu propósito. Anos depois seu nome mudou, passou a chamar-se Corumbalina. Houve esvaecimento, desconfiança, discórdia... A população não calou, até que, em 1947, a condição de município foi retomada voltando a ser novamente Santa Cruz de Goiás graças a Dr. Jerônimo Coimbra Bueno, Governador do Estado, eleito por voto popular. Fundamentado na Lei da Nova Constituição Estadual, fez voltar o estado de direito. Foi nomeado, um Prefeito provisório, depois um novo dirigente foi eleito pelo povo, e assim acontece até nossos dias.


  -  O musicista e professor Felipe Leduc, autor do Hino à Santa Cruz e Prefeito nomeado por Dr. Pedro Ludovico Teixeira, era inovador e fazia valer as Leis para todos sem distinção de raça ou credo. Animado, discernente, arrecadava impostos e realizava obras; foi perseguido! “expurgado” pelos políticos contrários às suas ações. Temeroso pelos ataques à sua residência, que era na própria Prefeitura, afastou-se do cargo, e mudou-se para outra cidade. 

   

                                      PERSEGUIÇÕES RELIGIOSAS      


 - O primeiro Vigário “Diogo Barbosa Rabello”, foi expulso pelos moradores, em um tumulto provocado pelo Provedor da Igreja daquela época.
 

 -A construção de um Templo Evangélico foi barrada, obrigando o Ministro Evangélico Ricardo José do Vale e sua esposa Maria Jose do Vale a se mudarem de Santa Cruz para uma fazenda por nome Fazenda Gameleira. Em volta dela foram criando ranchos de palha, até formar uma vila, depois cidade. Isto se deu em meados de 1907 dando inicio à criação de Cristianópolis.

O Senhor Jerônimo Candim, criador de um Centro Espírita em sua propriedade rural, Município de Caldas Novas, sofreu perseguição obstinada de médicos, padres e políticos. Foi processado por prática ilegal da medicina. Mudou-se para a Fazenda Palmela, nascendo dela a cidade de Palmelo. Ficou Cristianópolis (Protestante) Santa Cruz (Católica) e Palmelo (Espírita). Hoje há diálogo entre os segmentos religiosos e todos têm seu espaço.

-

                               SANTA CRUZ FRAGILIZOU-SE

 

 




Com todos esses processos, a energia vital de Santa Cruz foi quase toda consumida. Comércio fracassado, sem infra-estrutura... A população até hoje se alimenta da espera da festa do Divino (um dos motivos que mantém aceso o prazer dos moradores). Temos artistas de várias vertentes, sedentos para mostrar nosso universo inesgotável de expressão humana, nossa dimensão folclórica. Entregamos-nos às festas, não por ociosidade, e sim porque aprendemos a celebrar nossa experiência de vida, através de festejos alegres e inclusivos, onde todos são iguais, onde todos festejam da mesma maneira. Nossas festas são como falas, memórias, mensagens. Faltam apoio e incentivo financeiro para aquisição de indumentárias adequadas para as danças que estão perdidas no tempo. Povo sofrido, município espoliado, cicatrizes repassadas de geração em geração. Do patrimônio material pouco resta. Estão destruindo aos poucos nossa memória. 
A história mostra e os resultados demonstram, muitas pessoas contribuíram e contribuem para o desmoronamento do município, antagonizando o refrão do Hino à nossa Terra: “Santa Cruz minha terra meus amores”.

Houve muita bagunça e devassidão. Bandalheiras impunes, obviamente contribuíram para a estagnação de Santa Cruz. O povo, sem dúvida, acompanhou e assistiu ao vivo a incolumidade dos governantes, a falta de comprometimento com a prosperidade de um lugar, a falta de lealdade com os princípios éticos da política.

Carregando essa carga negativa nas costas, todos afirmam: “nada que aqui começa vai pra frente”. Ficamos a mercê de maus agouros e maus pensamentos. Justificamos o comodismo e culpamos o atraso que afronta o município às pragas rogadas sobre ele. Nada enfrentamos de verdade, esperando que caia do céu  a realização dos sonhos e das conquistas. Um começa, o outro ao invés de ajudar fica torcendo contra, prevendo o desfecho frustrado do intento. Falta conscientização de uma parte da população para a importância de nossas tradições. Com paciência, persistência, e antes de tudo amizade, chegaremos onde queremos. Sem domínio, sem vaidade, sem força, medo, ou rodeios; juntaremos razão e coração e antes de tudo força de vontade, desprendimento e fidelidade a nossos princípios éticos e morais, assim elevaremos Santa Cruz ao nível que ela sempre mereceu estar.
 

 


                      DADOS FÍSICOS DO MUNICÍPIO


Categoria-Município Sede
Sede de Comarca de 3a entrância, criada pela lei no 322, de 30 de Novembro de 1948.
Superfície -1.305 km2
Altitude -800 mts, sendo na sede 750 mts.
Clima -Tropical ùmido - Semi-árido
Limites-Pires do Rio, Palmelo, Cristianópolis, Caldas Novas e Piracanjuba.
Comunicação-Agencia dos Correios e Telégrafos, Serviço de Telefonia da  Brasil Telecom, torre da claro, Jornais diversos da Capital, Recepção de sinal de Radios da Capital e Municipios vizinhos e recepção de sinal de redes de televisão com sinal a nivel Nacional e Estadual.
Vias de Acesso - GO-020( Rodovia JK) e estradas municipais ligando a Caldas Novas e Piracanjuba.
Potamografia - As terras são banhadas pelo Rio do Peixe, Córregos Manoel Duarte, Muquém, Buriti, Pedra de Amolar, Brumadinho, Caiapó, Piratininga, Fundo, Mato Virgem, Água Suja, São Benedito, Córrego da Chuva, Sapé, Dantas e vários outros cursos d'água e pelo Ribeirão Brumado.
Distâncias - Goiânia, 128 Km
Pires do Rio, 25 Km
Palmelo, 5 Km
Cristianópolis, 32, Km
Caldas Novas, 65 Km
Piracanjuba, 72 Km
Bela Vista de Goais, 99 Km
Propriedades Rurais - Existem 600 propriedades rurais, sem latifúndios
Religião - Predominantemente Católica
Setor Educacional - Ginásio Municipal - 2o Grau e Escolas Rurais
Riqueza Mineralógica -Possui Ouro, Prata, Arsênico, Piritas, Chumbo, Calcário para Cimento, Argilas, Pedras Próprias para Brita, Areia, Saibro, Minério e Minerais, sendo que o Morro do Clemente é uma Montanha de Ouro
em Rocha.
Geologia -Existem em Santa Cruz as três idades principais da terra: Arqueozóica, Mizozoica e parte do Angogiano inferior. Predomina o complexo cristalino Brasileiro.
Orografia- Possui a Serra do Rio do Peixe, Morro do Clemente, Queiroz, Cuscuzeiro, Dois Irmãos, Serra dos Macacos, Cabeça de Mel e Capão Bonito.
Economia Geral -A economia geral do Município baseia-se, fundamentalmente, na agropecuária.
Criação de Gado de raça, Leieitro e de Engorda para abate.
Possui exelentes invernadas; as terras são ricas em húmus, fosfatadas pelas rochas que se decompuseram, tornando-as férteis


EDUCAÇÃO
ESCOLA MUNICIPAL PROFa. CELINA LEITE GUIMARÃES MATTOS
End.: Rua Fernando Félix de Oliveira, s/n - Centro
Turnos.: Vespertino
ESCOLA MUNICIPAL PROFa. MARIA EMILIA
End.: Av. Américo Carneiro de Mendonsa s/n - Centro
Turnos.: Vespertino (educação infantil)

ESCOLA MUNICIPALIZADA REUNIDA SANTO ANTÔNIO DA ESPERANÇA
End.: Povoado de Santo Antônio da Esperança
Turno.: Vespertino

 COLÉGIO ESTADUAL SENADOR ANTÔNIO DI RAMOS CAIADO
End.: Praça Iracema s/n - Centro
Turnos.: Matutino, Vespertino e Noturno